Sexta-feira, Junho 24, 2005

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Tá bom, tá bom... Vou dar o braço a torcer e admitir que a vida é sim, uma novela.
Eu juro que eu não queria estar nesse elenco, mas se eu não o fizer, o caminho se torna insuportável, pra mim. E afinal, pra quem mais poderia ser?
Talvez eu ganhe o oscar, ou vire ator de filme pornô.
Mas só pra que fique claro: no fundo, no fundo, é tudo uma casca.



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Quarta-feira, Junho 08, 2005

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O menino ganhou uma bola de futebol nova. A bola mais bonita que ele via na vitrine, até brilhava.

A bola novinha, limpinha. O menino dormia abraçado com a bola. A bola tinha até um cheirinho de bola nova.
O menino dormia e sonhava: com o gol de cabeça, com o passe de calcanhar, o chute de trivela, a caneta ou a falta na gaveta.
Com a bola nova era tudo mais bonito ainda.

Mas a bola nova ainda não estava amaciada, era dura. Ela quicava diferente, rolava rebelde, parecia não querer obedecer aos pés do menino.

O menino lembrou então da bola velha, suja e ralada. Até mesmo um pouco oval. A bola velha parecia "encaixar" melhor no pé do menino, entender seu jogo.

Mas jogar bem com a bola velha não bastava ao menino; a bola velha o incomodava. Todos os outros meninos já haviam chutado aquela bola velha, todos os outros meninos já driblaram com a bola velha, todos os outros meninos já bicudaram a bola velha, jogaram a bola velha em outras redes, já isolaram a bola velha para fora do campo.

A bola nova era só dele. Era bonita. Era perfeita.

E o menino, pouco a pouco ia colocando a bola nova no jogo. E ela ia amaciando. E todos os outros meninos iam chutando, driblando, bicudando... E a bola nova ia ralando, a bola nova ia sujando... ficando oval...

O tempo foi passando e então o menino pediu pro Papai Noel aquela bola bonita que brilhava na vitrine da loja de esportes.

Repetia o pedido, não desistia.

Não desistia, pois ainda sonhava em jogar com uma bola nova e bonita, quem sabe num campo perfeito, que não ralasse nem sujasse sua bola. Jogando só com craques que cuidassem e tratassem a bola com respeito, sem bicudas ou isoladas.

Para que no fim do jogo, a bola ainda estivesse nova e limpa e brilhante, e o menino pudesse levá-la para casa e dormir abraçado com ela. E sonhar com o gol de cabeça, o passe de calcanhar, o chute de trivela, a caneta e a falta na gaveta. Mesmo que fosse aos 45 minutos do segundo tempo.



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Quarta-feira, Junho 01, 2005

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Regressão

Regressões são como exemplos que ilustram a causa de nossos sentimentos, problemas, aflições, nóias ou traumas.

'Mire' um sentimento seu. Sentimento que você identifique claramente, que te aflige. Esse será o sentimento alvo.

'Filme', 'grave' o que você pensa quando sente esse 'sentimento alvo', depois analise o que filmou, ouça, veja. Quais são as frases que passam na sua cabeça ao sentir isso? O que te direciona a sentir assim? Qual a lógica que você usou para autorizar/habilitar esse sentimento?

A princípio pode-se achar que sentimento é algo muito impulsivo, primitivo, intuitivo. Mas se nos dedicarmos a detalhar, esmiuçar esses sentimentos, veremos que sempre seguimos uma lógica, regra. Uma corrente de pensamentos, que tem uma origem. (nunca sentimos algo "porquê sim", tudo tem motivo, causa).

O caminho contrário em busca da origem é a regressão.

Fazer isso (ainda mais sozinho) requer muita concentração. Chega a ser assustador o momento onde chegamos perto da raiz do sentimento. Como se tocassem numa zona erógena nossa, que até o momento desconhecíamos. Alívio, transtorno.

Após isso, perde-se a concentração, volta-se ao estado normal de consciência. Uma vontade de voltar ao estado anterior, onde parecia haver resposta.

Ela está lá.



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