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Quinta-feira, Março 24, 2005
Era escuro, mas nem tanto. As formas e contornos mais característicos do ambiente, podiam ser notados. As paredes altas, as colunas largas, o piso encerado refletindo o brilho das luzes que entravam através dos grandes vitrais, ao fundo do salão. Caminhava salão adentro. Passos cuidadosos, que não produziam som algum, pois calçava somente meias de algodão. O silêncio seria absoluto, não houvesse um antigo relógio cuco tic-taqueando, praticamente oculto pelas sombras, na parede oposta aos vitrais. Aparentemente não havia móveis no recinto. Uma fraca corrente de ar era sentida em sua pele, junto com um suave cheiro de produtos de limpeza. A cautelosa caminhada continuava, procurando talvez uma porta, talvez um interruptor, uma lanterna, velas ou fósforos, talvez procurasse apenas retornar ao corpo, que julgava estar na cama. Caminhava. Procurava. Até que o pé esquerdo encontrou e chutou, um cilindro de metal, do tamanho de um balde, que estava ao chão. Ao ser chutado, o cilindro foi se chocando contra paredes e colunas, produzindo um barulho ensurdecedor, forte e agudo, que ecoava por todo o salão, ecoava dentro de sua cabeça. Ecoava incessantemente, eternamente. Extremamente assustado com o barulho repentino e inesperado, sentiu estar acordando, despertando. Como se voltasse de um pesadelo, ofegante, fugitivo. Olhou ao redor procurando a cama, a casa. Percebeu então, ainda estar dentro daquele salão escuro. Percebeu que sempre acordava no salão escuro. Percebeu que por toda a eternidade estaria caminhando pelo salão escuro esperando despertar. E por toda a eternidade estaria se lamentando, lamentando e lamentando... Pois tudo que ele queria era atravessar o salão desapercebido, em paz e em silêncio, calçando suas meias de algodão.
Comente aqui: Sábado, Março 19, 2005
Casquinhas de machucado Sabem as casquinhas de machucado? Sim, ralados, cortes, esfolados.. Formam-se casquinhas. Após um certo tempo, dá vontade de tirar essas casquinhas. Porém, se ainda não tiver passado tempo suficiente para uma cicatrização boa, essas casquinhas ainda estarão muito grudadas ao machucado. Começamos pelas beiradas. As casquinhas das beiradas se soltam mais facilmente. Mas chega uma hora que não tem jeito. Se puxar mais vai sangrar, e vai doer. É nítido que o machucado ainda não curou. Mas continuamos puxando. Dói. Começa a sangrar. Dói mais. Dá pra ver ali no machucado que a pele é puxada até romper. Ainda não está curada, estava se recompondo, mas ainda faltava algum tempo. De repente, começa-se a pensar na dor. Analisar a dor. Questionar a dor. O que é essa dor? Compreender a dor. A dor deixa de ser dolorida e passa a ser somente ardida. E vai ardendo e vamos puxando a casquinha. De repente começa-se a pensar no arder. Arde, mas e daí? Aquilo não é nada. Só arde. Não há nenhum risco ou perigo além daquilo. Então a casquinha começa a ser puxada com gosto. Como se desafiasse a si mesmo: "Ae corpo-cérebro-sistema nervoso, pode mandar doer à vontade, porque eu quero tirar essa casquinha, e eu vou tirar! Eu não te ouço mais!". Nesse momento, a casquinha que estava somente no joelho, poderia estar cobrindo a perna toda. Não haveria problema, ela seria retirada. E tudo ficaria sangrando, e formaria uma nova casquinha... E segue assim, até o dia em que se resolve seguir a razão óbvia, e não ficar prolongando a vida dos machucados.
Comente aqui: Quinta-feira, Março 17, 2005
Lembranças .1 Minha primeira lembrança de desgosto com a escola, foi no Pré. Fiz o Maternal e o Jardim de Infância numa escolinha perto de casa. Depois, fui para um colégio maior, onde começaria a fazer o Pré-Primário. No primeiro dia de aula, minha mãe e minha vó foram comigo até a escola. Elas ficaram conversando com a Professora e outras mães, enquanto eu, jovinho e serelepe, brincava de esconde-esconde com a pirralhada. Lembro que eu estava sagazmente escondido atrás de uma coluna, me sentindo praticamente o mestre do esconderijo. Quando a lorpa da professora quis fazer um bonito pra minha mãe e foi brincar comigo... Obviamente, com todo aquele alvoroço da burra, o fedelho que estava no pique "batendo cara" me achou... E eu fui pego. Não esqueço. Olhei pra Professora abaixada na minha frente pra brincar comigo, com aquela cara de idiota, e dei-lhe um tapa na cara. Juro. Lembro de minha mãe me arrastando pelo braço. Fomos embora. Fiz o Pré em outra escola.
Comente aqui: Quarta-feira, Março 16, 2005
Por quê os empates são uma merda Nas derrotas a gente precisa de apoio, ombro amigo. Nas vitórias, precisamos de alguém pra abraçar, comemorar, festejar. Nos empates... precisamos de... de... Sei lá do que precisamos nos empates...
Comente aqui: Terça-feira, Março 15, 2005
Sabem aqueles venenos de matar pernilongo? Tipo Spray? Sbp, Raid, etc? Então... Eles matam os pernilongos. Mas são fortes, nos dão dor de cabeça, alergia... podem nos fazer mal. E uma hora os pernilongos voltam... Sabem aqueles de colocar na tomada? Aqueles não matam os pernilongos... Os pernilongos só dormem. E se o pernilongo estiver longe da tomada, ele fica meio zurêta, mas ainda é capaz de te pegar pra sugar teu sangue. Os pernilongos que voltam, e os zurêtas, tiram o sono da mesma maneira. Foda, né?! Mas o veneno é assim... Será que é tudo isso uma grande metáfora? O que tá escrito ae em cima e os 3 primeiros versos do post de baixo, dizem a mesma coisa. O final eu fiz pra completar usando o que poderia ser interpretado. E neguinho ainda acha que eu sou sentimental? uahuahauhauhauh hehehe
Comente aqui: A diferença entre um remédio que te faça dormir e um veneno que te faça morrer Pode ser a minha noite de sono... Eu odeio o barulho do bater das suas asas Eu odeio a intoxicação desse veneno que era pra matar VOCÊ A diferença entre a fórmula letal que te faça anjo e a poção mágica que te faça bruxa Pode ser apenas a dosagem... (ou as asinhas, ou a vassoura...) Eu não gosto do seu choro que me acorda a noite porque não é você que chora é delírio, efeito colateral do veneno Não é você que me decepcionou é esse veneno forte e vagabundo que me deu bad trip...
Comente aqui: Quinta-feira, Março 10, 2005
O que é dado, não tem graça o mandado é negado, por pirraça que não faça o errado, mas achas certo? Apoiado: faça o impossível, é sonhado o implorado, tão ridículo, é pisado o distante, é o que se quer tocar e o colado, dá vontade de afastar o que tá na cara é subestimado, de tão claro o as entrelinhas vêm à tona de repente, num estalo Admita ser possível se entregar e deixar tudo no plano da ilusão pra curtir o sentimento adormecido escondido, mas vivo, a emoção não é pedra e nem é gelo é músculo, pulsante e indomado fazendo um pedido, um apelo pra não ser esquecido, abandonado pois é um ciclo, um vício natural do instinto mais básico, animal é pura química no cérebro, é o que gera aquele frio visceral não é máquina e nem é lógica é a razão. fria e implacável que te avisa da armadilha trágica daquele erro previsível, porém... inevitável.
Comente aqui: Terça-feira, Março 08, 2005
É dia delas, né? Pode visitar que essas ae eu garanto que são firmeza. Bjões pra todas.
Comente aqui: Sábado, Março 05, 2005
- Um problema: a gente pode fazer isso, mas vai ter que ser por diversão. - E que problema é esse de se divertir ? - É que a gente precisa de dinheiro. - Pra quê? - Pra bancar a diversão, e recompensar o trabalho. - E quem disse que não dá se divertir de graça? E que a recompensa do trabalho é dinheiro? - E como fazer um negócio desses sem dinheiro? - Se o importante for fazer, a gente dá um jeito. - Vai pagar pra trabalhar? - Não confunda trabalho, com serviço. Trabalho é o que o homem produz. O que o homem faz por instinto, dom, vocação, prazer em criar, dominar, evoluir. Serviço é uma troca, mão de obra por dinheiro. Claro que se pode unir o útil ao agradável. Mas pra isso o trabalho tem que ser bom. E chamar a atenção pela qualidade e dedicação. Por isso é importante começar um negócio com qualidade, mesmo sem lucro. Se fizer com gosto, diversão, sai mais bem feito. - Mas fazer o quê? - Ah... 10 reais pra te falar uma idéia! - Tá aqui os 10 reais. - Opa! Valeus! - Agora fala, qual a idéia pra fazer grana me divertindo ? - Comece a vender suas idéias!
Comente aqui: não adianta ter a faca e o queijo e querer a colher porque a colher só se for pra você comer o queijo com doce de leite e ae você já tá querendo demais porque nem tudo é fácil de engolir e nem tudo é fácil de pegar e os nossos métodos e ferramentas não são certos só porque são nossos mas mesmo sem a colher você pode cortar o queijo com a faca e passar o doce de leite no queijo com a mão porque o importante é comer e 'as vezes é bom se lambuzar fazer uma lambança.
Comente aqui: Terça-feira, Março 01, 2005
Eu acordei e senti seu cheiro depois de tanto tempo... Eu fui dormir e pedi a tua benção depois de tanto tempo... Eu tentei lembrar da tua voz e até consegui... depois de tanto tempo... Eu fui dormir com lágrimas nos olhos, e quando fechei os olhos eu vi o céu, as estrelas, as constelações... Juro que vi! Como se estivesse de olhos abertos olhando pra noite. Será que é lá que o senhor está? Quanto a mim o senhor não precisa se preocupar. Tô cercado de anjo... As burradas que eu faço ninguém ia mesmo evitar... Tem muita gente que gosta de mim, tem gente que bota fé e até gostam do que eu escrevo... Umas coisas que eu nem sei da onde sai... Da mesma forma que eu não sei como uma criança um dia foi capaz de fazer tanta maldade. Não era eu! Não era eu! NÃO ERA EU! Não é possível! Eu só queria ter tido mais tempo pra dizer que eu nunca tive coragem de pedir desculpa... Do meu lado, ou no céu, nas estrelas... Eu quero ser bom... Pra mostrar que esse dom é bom e te deixar orgulhoso como se eu estivesse me desculpando e me sentindo perdoado, por manejar as palavras tarde demais...
Comente aqui: Bem que me avisaram: Ele vem um por um sugando o que cada um tem de bom roubando idéias e quando você percebe e se liga, e quando o corpo tá fechado, veiaco. Ele vaza... Ele te coloca nos planos dele nas histórias dele... Sem te perguntar. Você pegou o pedaço maior Mas tá ligado o rabo da lagartixa? Então... eu sou igual eles... pode cortar que eu volto... Você pegou o pedaço maior mas eu aprendo a gostar de outra coisa... Dae isso que você tem, não me faz mais falta nenhuma... Ó mano, pode ficar pra você que eu não faço questão. Divirta-se. Go ahead. Enjoy! Vou proteger minhas idéias. Cara, eu não peguei aquela faca pra te matar, não... Eu só queria saber como você era por dentro...
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